domingo, 13 de agosto de 2017

NYT: "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal" [risos]



Traduzido pelo coletivo da vila vudu

Todos os dias nos dizem e repetem que a Rússia é 'do mal". Interferiu nas eleições dos EUA, como dizem, mesmo quando há provas claras de que isso não aconteceu. A opinião pública está sendo 'convencida', mesmo que só parcialmente, por insistente campanha de propaganda anti-Rússia.
A tentativa para reacender um processo de 'guerra fria' e demonizar a Rússia é comprometida porém pelo fato evidente de que a Rússia já não é inimiga ideológica do 'ocidente'. A Rússia já não é comunista e não é mais governada por sovietes. Hoje, a Rússia é realmente capitalista e, inclusive, neoliberal.

O novo modo de demonizar a Rússia tem, portanto, de adotar via completamente diferente. O melhor que conseguiram é "Rússia é capitalista, ok, mas capitalista do mal..." 

Só isso explica a manchete e a matéria que o NYT publicou: (ing.) Rússia deseja inovação, mas prende seus inovadores:


AKADEMGORODOK, Rússia — Dmitri Trubitsyn é um jovem físico e empresário com reputação de patriota, considerado na região da Sibéria onde vive como exemplo dos talentos, da dedicação e da capacidade como empreendedor que o presidente Vladimir V. Putin saudou como vital para a futura saúde econômica da Rússia.

Trubitsyn está ameaçado de ser condenado a oito anos de prisão depois de recente raid na residência e escritório que mantém aqui em Akademgorodok, santuário da era soviética de pesquisa científica que deveria servir como amostra de como Putin pode mobilizar aquela abundância de talentos para criar uma economia moderna.

Um tribunal prorrogou nessa 5ª-feira prisão domiciliar de Trubitsyn até pelo menos outubro, que o impede de deixar o apartamento e comunicar-se com qualquer pessoa que não seja de sua família imediata.


Perceberam o quanto Putin é péssimo? Como seus policiais são autoritários e violentos? Chegam a ponto de prender "empresário patriota"!

Mas por que o tal homem foi acusado e está sendo julgado?


Trubitsyn, 36, cuja empresa, Tion, fabrica sistemas high-tech de purificadores de ar para residências e hospitais, foi acusado de pôr em risco a vida de pacientes em hospitais para aumentar seus lucros, com um upgrading nos purificadores, que passariam a consumir menos eletricidade.


Mais importante, é que Trubitsyn foi acusado de introduzir suas mudanças sem a autorização das autoridades responsáveis pela saúde pública. Claro que "upgrade" em qualquer aparelho para que "consuma menos eletricidade" é ótimo. Todos nós sabemos disso.

Mas depois dessa informação, seguem-se dez parágrafos para nos convencer de que o sujeito vive realmente no lado 'do bem'; e que o outro lado, para o qual Putin arrastou a Rússia, é completamente o lado mau, mau, mau, mau.

Só depois dos tais dez parágrafos é que afinal vem a informação sobre o que a empresa de Trubitsyn realmente fez:


Almelkin [Chefe técnico da empresa] disse que a empresa foi procurada pela agência reguladora e informou que mudara o projeto do equipamento eremovera um aparelho de filtragem suplementar que testes de laboratório haviam mostrado que eram redundantes e desperdiçavam energia elétrica. A empresa então modificou seus documentos de registro na agência e entendeu que a questão estaria resolvida – disse Amelkin.


Aí afinal ficamos sabendo o que realmente aconteceu. A empresa produz equipamento médico de filtragem licenciado por agência oficial. Eliminou um estágio dos filtros caros e vendeu o equipamento degradado sem informar autoridade alguma sobre a mudança.

Sim, o equipamento modificado "consome menos energia". Ok. Faz isso porque filtra menos do que deve filtrar. O produto médico degradado e mais barato foi vendido sem licença válida. Até que algumas das empresas concorrentes deram-se conta do que estava acontecendo e informaram as agências reguladoras sobre aquela fraude de consequências perigosas. O gerente "Inovador" da empresa foi preso por fraude e, condenado, terá de ser preso.

Esse procedimento me parece muito normal e assim devem operar todas as regulações de produtos vendidos a consumidores. Quando fabricantes alemães de carros fraudaram seus testes de emissão de resíduos de diesel, as empresas norte-americanas concorrentes e agências reguladoras, sim, prenderam vários executivos responsáveis. Foi procedimento muito elogiado – até pelo NYT –, como excelente regulação. Quando a Rússia faz exatamente o mesmo, a coisa é 'noticiada' como "ataque à inovação".

Propaganda funciona. O autor da matéria do NYT trabalhou para convencer seus leitores. Dos 29 "Comentários Recomendados" pelo NYT, 28 são contra os russos. Só um comentador, de Vancouver, destaca que o sistema na Rússia apenas funcionou como devia funcionar. Que a empresa foi penalizada por ter produzido e vendido um produto fraudulento, e o gerente responsável foi punido.


Interessante seria saber como o jornalista do NYT autor da matéria e seus leitores demonizadores de Rússia e de russos se sentiriam se, lutando para não morrer numa UTI, recebessem para respirar ar insuficientemente filtrado.

blogdoalok

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