quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Luta pelo Iraque: Saqlawiyah mostra tudo!


Nota da redecastorphoto: Através desta (e de outras não traduzidas) análises de campo fica mais que óbvio que os bombardeios dos EUA destinam-se muito mais a destruir a infra estrutura civil e militar do Iraque e da Síria do que atingir o ISIL (seus verdadeiros aliados e cúmplices). A segunda intenção é “evidenciar” a “necessidade” de “coturnos no solo” (dos EUA) e trazer mais mortes e desgraças como fazem em suas invasões mundo afora, afrontando a Carta da ONU e o Direito Internacional.

A comportamento mostrado pela “coalizão de vontades” (EUA mais ditaduras árabes, “poodles” europeus e Turquia) evidenciam que os verdadeiros alvos dos EUAUnião EuropeiaOTAN são: degradação completa e “mudança de regime” na Síria; destruição e balcanização completa do Iraque; futura “mudança de regime” no Irã. Não podemos esquecer que o Líbano (e o Hezbollah) também está sendo atacado pelo ISIL com a valiosa colaboração do estado genocida de Israel.

Aqui se lê uma lista em ordem cronológica de eventos ocorridos entre meados e o fim de setembro, na base de Saqlawiyah do Exército do Iraque (Saqlawiyah localiza-se ao norte de Fallujah).

●– ISIL e combatentes sunitas seus aliados tomaram algumas poucas vilas ao norte de Fallujah;

●– Uma das cidades tomadas foi Sijir, próxima da Base Militar de Saqlawiyah;

●– O Exército do Iraque mandou 400 homens da 3ª Brigada, uma unidade de elite da SWAT, e membros da Ashaib Ahl Al Haq (Liga dos Honrados) para desocupar Sijir.

●– Forte resistência pelo ISIL obrigou os soldados a retornar à base de Saqlawiyah; há ali agora de 800 a mil homens naquela base, já quase sem suprimentos, comida e munição.

●– O ISIL captura áreas em torno da base e bloqueia a única estrada que a conecta a Saqlawiyah e começa a cercar a base. Dizem que o ataque contra a cidade foi uma armadilha preparada para o exército iraquiano e “imundície safavida” [termo ofensivo para designar os xiitas].

●– O ISIL começa a usar alto-falantes, dizendo às tropas que se rendam.

●– Uma unidade de tanques vem de Ramadi, avança para o norte e tenta romper o cerco. Os tanques avançam por um pedaço de estrada minada com explosivos improvisados, mas consegue chegar a 400 metros da base.

ISIL cercou a base de Saqlawiyah (23/9/2014)
●– Os soldados sitiados tentam aproximar-se dos tanques, mas são forçados a retroceder, pelo ISIL, que se serve de suicidas-bomba e assaltos pesados. Os soldados são forçados a voltar à base, e a coluna de tanques retrocede sobre os cadáveres dos soldados.

●– Os soldados sitiados na base fazem pedidos desesperados aos comandantes militares, que prometem ajuda e reforço aéreo, mas nada acontece. Comandantes referem-se aos pedidos repetidos feitos pelos soldados, como desnecessárias “lamúrias”, ante os ataques.

●– Militantes do ISIL vestidos com uniformes do Exército do Iraque avançam em veículos blindados, num ataque de suicidas-bomba. Os soldados que guardavam a base, ao que se sabe, abriram os portões, supondo que os blindados trouxessem suprimentos. Acontecem ataques-suicidas enormes, seguidos de pesadas emboscadas. O ISIL está controlando a base e, pelo que se sabe, restam bem poucos soldados.

●– Relatórios contraditórios sugerem que as baixas estão entre 50 (informe do governo, nada confiável) e 600; e que 200 soldados conseguiram fugir. Os soldados fugitivos passam fome já há quatro dias e estão bebendo água salgada para sobreviver; não conseguem correr.

●– O ISIL faz desfilar 30 homens vestidos em uniformes do Exército Iraquiano em Fallujah e distribui a seguinte declaração:

Com nossa fé posta em Alá, e considerados os meios e capacidades disponíveis, e por ordem do Ministério da Guerra, a Província de al-Fallujah mobilizou todos os seus destacamentos militares, defesa aérea, apoio e destacamentos de ataques aéreos, e depois de planejados e definidos os alvos, os destacamentos lançaram-se sobre os seus objetivos, que é de libertar a área de al-Sijir da imundície dos safavidas [termo ofensivo para designar os xiitas], como um primeiro passo para cercar o quartel-general da Brigada 30, localizado entre a área de al-Sijir e o subdistrito de al-Saqlawiyah.

●– O ISIL diz que matou 300 soldados iraquianos, capturou dois tanques M1A1 Abrams e um tanque russo, além de outros equipamentos saqueados da base.

●– Abadi ordena um inquérito e anuncia-se que os comandantes do Exército e da Força Aérea iraquianos são suspensos, mas os deputados no Parlamento exigem que sejam indiciados e submetidos a julgamento; e dizem que Saqlawiyah é a segunda Spyker [1] no Iraque.

●– O governo está dizendo que o ISIL usou gás venenoso e usa esse argumento para explicar por que a base caiu.

Turcos dizem que o ISIL se droga para combater
Eis algumas perguntas suscitadas pelos eventos acima listados:

1) Por que o Apoio Aéreo não apareceu nem chegaram os ressuprimentos por paraquedas ou helicópteros?
Ao longo de todo o conflito, o que se sabe é que os comandantes iraquianos têm ignorado pedidos para ressuprimento e apoio aéreo e – o que é mais chocante – sempre dão falsas esperanças aos soldados, sugerindo que a base teria recebido ressuprimento, quando nada receberam. As relações azedadas entre os comandantes de Maliki e o desejo de Abadi de substituí-los têm sido citadas também como outra desculpa para o fiasco.

2) Onde, afinal, estão caindo as bombas dos ataques aéreos dos EUA?!

Se o ISIL estava mandando número tão alto de militantes combatentes para o norte, por que os EUA não miraram os seus ataques aéreos contra eles? Ou por que não atacaram os homens do ISIL que estavam sitiando a base de Saqlawiyah?

Combatentes iazidis também reclamaram que os EUA não atacaram o armamento pesado do ISIL em Sinjar quando os iazidis estavam em luta contra eles, sequer depois que os iazidis indicaram (pintados) alvos para os norte-americanos. Os iazidis foram forçados à retirada quando ficaram sem munição, em luta que, se os planos fossem cumpridos, seria fácil vencer.

Também é muito eloquente o comportamento de soldados turcos, que impedem os curdos sírios de cruzar a fronteira para ajudar outros curdos a dar combate ao ISIL em Kobane. Assim também, os ataques norte-americanos longe de Kobane não conseguiram impedir o avanço do ISIL. Tudo isso fede a [criar a necessidade de] “coturnos em solo”.

Tropas turcas impedem curdos de combater  ISIL
3) Onde estão, em tudo isso, as tribos sunitas?

Até agora, aquelas tribos sunitas que não apoiam o ISIL ainda não se decidiram a apoiar o governo. As razões que apresentaram são que continuam os ataques indiscriminados de artilharia contra áreas sunitas populosas (Fallujah, Ramadi) e a detenção de alto número de homens sunitas. Outra razão pode ser que aquelas tribos ainda tenham dúvidas de que o governo consiga vencer a guerra ou impor-se nos territórios tomados.

4) Efetividade das milícias?

As milícias impediram a queda de Bagdá e detiveram o avanço do ISIL. Mas ainda têm longo caminho a percorrer, e podem vir a revelar-se inúteis nas áreas onde dominam os sunitas.

Os figurões da Liga dos Honrados [orig. Ashab Ahl al Haq] ficarão furiosos por seus homens terem sido sacrificados na base Saqlawiyah, e exigirão respostas, se não sangue, da liderança político-militar do Iraque.

Os líderes militares do Iraque, politicamente selecionados, mostraram pouco ou quase nenhum zelo ou cuidado pelos próprios homens e soldados. Talvez sejam mais perigosos que o ISIL.

Post Sciptum: (5ª pergunta, oferecida nos “Comentários” a esse postado:)

Michael Collins escreveu...

Grande postado! As perguntas vão direto ao alvo. Aí vai mais uma:

●– Se o Exército Sírio Árabe derrota os “rebeldes” em praticamente todos os confrontos (inclusive o ataque vindo da Jordânia que foi completamente esmagado), por que os EUA e sócios só têm impacto zero no avanço do ISIL?!

Redecastorphoto

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