sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Noticias da Guerra Síria

TV estatal da Síria mostra presidente Assad em cerimônia religiosa

Imagem da TV estatal mostra o presidente Bashar Al-Assad ao lado do grande múfti da Síria, Ahmed Harrun, em cerimônia na quinta-feira (24) em Damasco (Foto: AP)

Ele estava acompanhado de autoridades religiosas em Damasco.Ministro pediu orações pelo restabelecimento da segurança no país.

Imagens do presidente sírio, Bashar al-Assad, foram transmitidas nesta quinta-feira (24) na rede de televisão estatal e mostravam o líder participando de orações em uma mesquita de um bairro ao norte de Damasco por ocasião do aniversário do profeta Maomé.

Nas imagens, transmitidas ao vivo, Assad foi visto de joelhos na mesquita de Al-Afram ao lado do mufti da Síria, a mais alta autoridade religiosa do país, e do ministro de Assuntos Religiosos.

O ministro, Mohammed Abdel Settar, convocou mais cedo a realização de "milhares de orações" nas mesquitas na sexta-feira para pedir o restabelecimento da segurança no país, atingido por uma revolta popular contra o regime desde março de 2011.

"Orações serão realizadas após os serviços na sexta-feira nas mesquitas da Síria com o apelo para um retorno à segurança e pela proteção da pátria', disse Settar, citado pela agência de notícias estatal Sana.

Assad apareceu em público pela última vez no dia 6 de janeiro, em um raro discurso aos seus simpatizantes no qual ele descartou os apelos para sua renúncia e disse que não tinha parceiros com os quais negociar para colocar fim ao conflito, que já dura 22 meses.

Síria está saindo da crise, diz ministro de Reconciliação

O ministro de Reconciliação Nacional, Ali Haidar, afirmou que a Síria está saindo da crise, de acordo com dados internos, regionais e internacionais.

Fez também um chamado a todos os cidadãos para contruir um diálogo que permita concretizar o processo de reconciliação nacional, como destacou uma reportagem da televisão estatal.

Durante um encontro realizado na quarta-feira (23) com atores políticos e civis na província de Deraa, Haidar destacou que o Ministério apoiará a formação de comitês provinciais responsáveis por canalizar as problemáticas de cada município para a concretização do diálogo ao qual foi convocado todo o povo.

"Todos os sírios devem atuar de acordo com os interesses da Pátria", insistiu enquanto explicava que a coesão do Exército Árabe Sírio e a firmeza da economia frustraram as pretensões daqueles que apostaram pela destruição do Estado.

A crise está chegando a seu fim, estimou.

De acordo com o ministro de Reconciliação Nacional, o povo sírio possui um genuíno interesse em produzir um projeto político para todos os compatriotas, sem exceção.

Haidar acrescentou que os primeiros passos para o diálogo nacional procuram criar uma rede de segurança social; completar os expedientes das pessoas sequestradas, deslocadas e presas; além de dar apoio às tarefas de socorro, e agilizar os julgamentos e procedimentos judiciais contra aqueles que possuem assuntos pendentes com a justiça.

Por sua vez, o governador de Deraa, Mohammad Khaled Al-Hanous, destacou que as autoridades do território iniciaram meses atrás um movimento popular e um processo de normalização do status jurídico das pessoas para ajudar a acabar com a crise.

Explicou que a província foi alvo de sabotagem contra as instalações do governo, infraestrutura e bens públicos e privados, devido às atividades de grupos mercenários com apoio do exterior.

Os participantes da reunião pediram que fossem perdoados aqueles cujas mãos não estejam manchadas de sangue sírio, e que fossem conformados comitês populares locais para proteger as propriedades públicas e privadas que poderiam ser alvo de vandalismo, concluiu a fonte.

Prensa Latina

Moscou não considera necessário retirar embaixada da Síria, diz Lavrov

Embaixada está funcionando em regime normal, mantendo contatos não só com o governo mas também com a oposição síria, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguêi Lavrov.

O governo de Moscou não tem a intenção de retirar sua embaixada da Síria, assolada por confrontes entre o exército e a oposição armada desde março de 2011.

A embaixada russa na Síria está funcionando em regime normal, mantendo contatos não só com o governo mas também com a oposição síria, disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguêi Lavrov, em uma entrevista coletiva, fazendo um balanço de 2012.

"As famílias dos funcionários da embaixada haviam deixado o país há muito tempo, mas a embaixada está totalmente operacional", disse Lavrov, citado pela “RBC Daily”.

A diplomacia russa havia anunciado o encerramento do consulado russo em Aleppo. A notícia foi acolhida por alguns como o início da retirada da embaixada russa do país.

O ministro disse ainda que Moscou não considera necessário começar uma evacuação em massa de cidadãos russos da Síria.

"Temos planos de evacuação, como qualquer outro país, mas não temos a intenção de levá-los à prática até porque a atual situação no país não exige isso", disse Lavrov, citado pela agência “RIA Nóvosti”.

Dois aviões do ministério russo para situações de emergência enviados na última terça-feira (22) a Beirute trouxeram ao aeroporto Domodedovo, em Moscou, o primeiro grupo de 77 cidadãos russos, entre os quais 27 crianças.

"De modo geral, o estado psicológico dos recém-chegados é satisfatório. Eles deixaram a Síria por vontade própria e não têm problemas psicológicos graves, embora estejam muito cansados", disse à agência “ITAR-TASS” a representante do Centro de Apoio Psicológico do Ministério de Emergências, Olga Makarova.

No aeroporto, estão instalados postos de atendimento médico e psicológico e um escritório do Serviço Federal de Migração.

Segundo ela, quase nenhum dos recém-chegados disse desejar retornar à Síria em um futuro próximo e muitos estão preocupados em arranjar emprego na Rússia.

"Muitos deles viveram por muitos anos na Síria, algumas crianças não falam russo e suas mães estão preocupadas com sua educação na Rússia", adiantou a psicóloga.

"Vivi 12 anos tranquilamente em Damasco até os recentes desdobramentos. Quando soubemos que existia a possibilidade de voltar à Rússia, decidimos aproveitá-la", disse uma refugiada ao jornal “Vzgliad”. Ao ser perguntada sobre se desejaria voltar algum dia à Síria, ela disse: "Por que não? Certamente voltaremos".

"Eu estava muito preocupada com meu marido e o meu filho, por isso decidimos sair", disse ao jornal “Vzgliad” uma outra russa, resumindo assim a causa da saída mais citada em conversas com os repórteres.

Números

Segundo a agência “RIA Nóvosti”, que cita o consulado russo em Damasco, 81 pessoas, entre as quais russas casadas com sírios, seus filhos e maridos que obtiveram a nacionalidade russa, desejaram voltar à Rússia. Eles moravam em diferentes cidades do país: Damasco, Aleppo, Hama, Homs.

Ao todo, 8.008 russos estão inscritos no consulado da Rússia na Síria, embora o número de cidadãos russos residentes no país seja muito maior, dizem diplomatas russos.

Em uma declaração publicada em seu site oficial nesta quarta-feira (23), a diplomacia russa afirmou:

"Se for necessário, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia continuará prestando assistência prática no retirada de cidadãos russos da República Árabe da Síria.”

Operação

Segundo o jornal “Vzgliad”, já no final de 2012, os ministérios de Emergências, das Relações Exteriores e da Defesa tinham pronto um plano de retirada de cidadãos russos da Síria.

Caso a operação fosse realizada, teria como alvo pelo menos 30 mil pessoas. Os refugiados seriam levados em automóveis até os portos sírios de Tartus e Latakia, de onde seguiriam por mar até o porto cipriota de Larnaca. De lá, seriam retirados para a Rússia por aviões.

No trajeto marítimo seriam usados quatro ferries de passageiros russos: o Apolonia, com capacidade para 250 passageiros, o Ant-1 (90 passageiros), o Ant-2 (68 passageiros) e Nikolai Konarev (75 passageiros), que estão atualmente nos mares Vermelho, Mediterrâneo e Negro, além de navios de patrulha e de desembarque pesados das Frotas do Mar Báltico e do Mar Negro.

Confrontos entre as tropas do governo e os opositores do regime do presidente Bashar Assad se estendem na Síria desde março de 2011, ceifando a vida de mais de 60 mil pessoas.

As autoridades sírias afirmam estarem enfrentando grupos rebeldes bem armados e apoiados externamente.

Gazeta Russa

França não vê indícios de que presidente da Síria vá cair logo

Chancelaria francesa adotou tom mais cauteloso ao falar da guerra civil. Confronto que já dura quase dois anos matou mais de 60 mil, diz ONU.

A França afirmou nesta quinta-feira (24) que não havia sinais de que o presidente sírio, Bashar al-Assad, estivesse prestes a ser derrubado, algo que Paris vinha dizendo que estava para acontecer havia meses. O levante contra o governo de Assad fez quase dois anos.

Mais de 60 mil sírios foram mortos e outros 650 mil agora são refugiados no exterior, segundo a Organização das Nações Unidas.

A França, antiga colonizadora da Síria, é um dos principais partidários dos rebeldes que tentam derrubar Assad, e foi o primeiro país a reconhecer a coalizão opositora.

"As coisas não estão se movendo. A solução pela qual esperávamos, e com isso eu quero dizer a queda de Bashar e a chegada da coalizão (da oposição) ao poder, não aconteceu", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, em seu discurso anual de Ano Novo para a imprensa.

Fabius afirmou à rádio RFI em dezembro que "o fim estava chegando" para Assad. Mas, na quinta-feira, ele disse que a mediação internacional e as discussões sobre a crise, que começou em março de 2011, não estavam indo a lugar algum. "Não há sinais positivos recentes", disse.

Ele acrescentou que líderes da oposição síria e delegados de cerca de 50 nações e organizações vão se reunir em Paris em 28 de janeiro para discutir como cumprir compromissos anteriores. Assad resistiu a todas as tentativas de forçá-lo a renunciar e liderou uma repressão impiedosa contra o que ele chama de terroristas apoiados pelo exterior.

A televisão estatal síria mostrou o presidente na quinta-feira visitando uma mesquita para celebrar o nascimento do profeta Maomé. Assad apertou as mãos de membros do governo e sorriu, mas não discursou.

Enquanto isso, forças do Exército sírio bombardearam áreas do país mantidas pela oposição com artilharia e ataques aéreos, e insurgentes entraram em confronto com a infantaria, disse a oposição.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, com sede na Grã-Bretanha e que monitora a violência na Síria, informou que seis civis, incluindo uma mulher e duas crianças, foram mortos em Homs nesta quinta-feira, quando um avião bombardeou a casa deles.

Na extremidade sudoeste da capital, a artilharia atingiu o bairro rebelde de Daraya, disseram moradores em Damasco. "Houve um bombardeio muito forte durante a noite da montanha sobre Daraya", disse um morador do centro de Damasco. O Exército de Assad tem usado a montanha de Qasioun, a oeste de Damasco, como terreno elevado para bombardear bairros da oposição.

"(As explosões) pareciam enormes caminhões caindo do céu, um caminhão de cada vez", disse um morador sob condição de anonimato. "Senti as minhas janelas tremerem".

O Exército e os insurgentes estão presos em um impasse militar há semanas, mas os rebeldes foram capazes de capturar algumas bases militares.

Nesta semana, os rebeldes tomaram o controle de uma base de mísseis no norte do país, segundo imagens da oposição, potencialmente ganhando acesso a armas poderosas de longo alcance.

Mas o Exército fortificou posições na capital e nas principais bases militares e é raro que qualquer lado faça um avanço significativo.

Embora a França tenha descartado enviar armas para os rebeldes, vem pressionando a União Europeia a rever seu embargo de armas.

Até agora, Paris e outros aliados ocidentais não conseguiram convencer Rússia e China, que continuavam a bloquear uma ação mais forte da ONU contra Assad, a mudar de posição.

"A França continua, como outros, tentando encontrar uma solução para que Bashar seja substituído e para que uma Síria unida, que respeite todas as comunidades, seja alcançada. No entanto, estamos longe disso", disse Fabius.

Reuters

Naval Brasil

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